Ultima exploração (por Dr. R. Ballard)
 

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Explorador retorna ao local do naufrágio do Titanic em 2004 e revela: mais de 5 mil objetos já foram levados do navio!

Proa arqueada pelas marés

 Em 1986, o oceanógrafo americano Robert Ballard surpreendeu o mundo ao mostrar as primeiras imagens do Titanic naufragado, a 3.658 metros de profundidade no Atlântico Norte, perto da Ilha de Terra Nova, no Canadá. Na última semana, no comando da expedição submarina mais tecnológica da História, Ballard retornou aos escombros e emergiu estarrecido: grande parte do tesouro do navio, registrado em fotos e vídeos há 18 anos, desapareceu. Da embarcação de 46.000 toneladas sumiram peças, ornamentos, baús contendo jóias e até mesmo uma placa de bronze colocada por Ballard no fundo do mar na primeira expedição. 'Não foi a maré que levou nem o sal que decompôs, foi o homem que arrancou', garantiu ele em entrevista a revista brasileira. Sinais de arrombamento e ferros retorcidos são provas físicas de que os objetos foram violentamente retirados da embarcação. 'A ação do homem consegue ser predatória até debaixo d'água', lamentou o explorador, ainda no Noaa, navio de pesquisas da Agência Americana de Controle Oceânico e Atmosférico, entidade que luta pela preservação do que restou.

Desde que Ballard identificou o local exato do naufrágio e publicou as coordenadas, mais de 50 expedições foram visitá-lo. Esses exploradores, no entanto, queriam mais que imagens emblemáticas do que já foi o mais luxuoso e moderno transatlântico da História. Desejavam uma prova material - uma peça de roupa de valor simbólico ou, com um pouco de sorte, jóias que pertenceram aos viajantes. 'Pescar uma lembrancinha do Titanic passou a ser uma prática comum', assinalou Ballard.

 
Cisão no convés foi causada pelo choque com iceberg gigante Poucos objetos, como a bota acima, resistiram à ação do homem

Desde que Ballard identificou o local exato do naufrágio e publicou as coordenadas, mais de 50 expedições foram visitá-lo. Esses exploradores, no entanto, queriam mais que imagens emblemáticas do que já foi o mais luxuoso e moderno transatlântico da História. Desejavam uma prova material - uma peça de roupa de valor simbólico ou, com um pouco de sorte, jóias que pertenceram aos viajantes. 'Pescar uma lembrancinha do Titanic passou a ser uma prática comum', assinalou Ballard.

O retorno ao transatlântico que se chocou com um iceberg em abril de 1912 mostrou também que as forças da natureza vêm colaborando para o fim precoce do Titanic. Os escombros estão em estágio avançado de decomposição, bem mais que o esperado para seus 92 anos de submersão. A causa, além da ação predatória dos homens, seriam microrganismos marinhos ainda desconhecidos.
 

Robert Ballard chegou a essa conclusão depois de comparar imagens atuais com as feitas em 1986. Para isso, o explorador contou com a ajuda de três robôs: o Pequeno Hércules, com seis câmeras articuláveis de alta resolução; o grandalhão Argus, conhecido como robô-holofote; e o Grande Hércules, o robô-pá, que recolheu amostras orgânicas coladas ao casco da embarcação, destinadas a estudos científicos. 'A intenção é entender as condições de um ambiente tão inóspito e desenvolver soluções químicas capazes de retardar a decomposição', explicou.

 
Placa presa ao convés em 1986, levada por exploradores Cientistas monitoram robôs da superfície


 

Estima-se que tenham sido gastos mais de US$ 900 mil na expedição, que só se tornou viável graças a um sistema de comunicação poderoso, desenvolvido exclusivamente para explorações oceânicas. Preparado pela EDS, uma empresa de tecnologia da informação, o aparato possibilitou que a expedição fosse acompanhada em tempo real pela internet e pela TV. Mais de 150 mil alunos embarcaram numa aventura virtual a bordo do Hércules, e mais de 1,5 milhão de telespectadores do mundo inteiro assistiram ao vivo, na semana passada, às imagens da mais recente descida ao Titanic pelo canal National Geographic.

Considerado o pesquisador marinho mais importante da atualidade, Ballard, de 61 anos, já liderou 110 expedições ao fundo do mar. Descobriu, por exemplo, as fendas hidrotermais de Galápagos e o encouraçado alemão Bismarck, naufragado durante a Segunda Guerra Mundial, 968 quilômetros a oeste do Porto de Brest, na França. Agora ele vai explorar os navios submersos da Antigüidade. Mas diz que sua luta continuará sendo pela preservação do Titanic, ameaçado pelo homem e pela natureza.

 
Hércules, o robô explorador Robert Ballard, o chefe da equipe

 

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